A Sua Neurologia Pessoal e Interpessoal

By | 2.9.13 Deixe um comentário
Quando me formei neurologista o objetivo era diagnosticar e tratar doenças. Ou preveni-las. 
Agora já não basta apenas compreender doenças e tratar. O conhecimento neurológico está cada vez mais complexo e está aproximando-se o tempo em que será possível conhecer a sua “personalidade neurológica”, algo que vai muito além de saber se vai ter esta ou aquela doença. Trata-se de saber como você funciona neurologicamente e o que o distingue dos outros.  

Assim como temos uma genética pessoal, impressões digitais e personalidades únicas, temos nossas neurologias particulares e intrasferíveis.. Quando interagimos aparece uma espécie de neurologia coletiva, também única. Uma combinatória das nossas neurologias particulares.
 Descobrimos como monitorar as nossas próprias formas de ver, sermos vistos, de ouvir e sermos ouvidos, de sentir e impressionar os outros, física, emocional e visceralmente. Nossos pensamentos, por exemplo, classicamente tratados como algo abstrato e externos à condição de cada um, são tão pessoais quanto nossas percepções e ações. As neuroimagens funcionais mostram como os estados neurológicos de cada pessoa, você ai , por exemplo, variam prontamente quando se concentra em algo e depois em algo outro. Ou quando está num ambiente e vai para outro. E mesmo variando assim, cada um tem um padrão complexo que é seu.  
Isso tem consequências práticas extraordinárias: quando temos acesso ao modo pessoal, particular como funcionamos nos tornamos capazes de saber com muito mais objetividade a respeito de nossos limites e potencialidades. Nos tornamos muito mais aptos a expandi-los.  
Como fazer isso na prática? Precisamos comprar equipamentos de avaliação neurológica como um aparelho como os de ressonância magnética cerebral: é caríssimo e difícil de lidar. Você não pode sair por ai com ele instalado. Que tal um monitor de seus estados mentais (neurológicos, cerebrais)? Estão à venda aparelhos de monitoramento fisiológico de sinais do corpo, do organismo e da atividade cerebral integrados e portáteis,  cada vez mais baratos e acessíveis.  Outros estão sendo desenvolvidos para obedecer a comandos mentais: você tanto poderá jogar vídeo game quanto controlar uma prótese ou outro equipamento pela “força da mente”. Não é magica: é tecnologia.  Ela usa a estrutura da sua experiência  como comando.

O desafio para usar essas novas tecnologias “mentais” é saber como lidar com a sua atenção, concentração, seus pensamentos, emoções, sentimentos e representações mentais. Com as suas posturas, movimentos e atividade visceral, pois elas , em conjunto é que “comandarão” tais equipamentos.
Agora pensa bem: você tem, desde sempre, a sua neuro-tecnologia pessoal à disposição para lidar consigo mesmo, com os outros seres vivos e com o ambiente físico. O quanto você sabe utilizá-la objetivamente para realizar-se, ajudando a construir uma revalide na qual se sinta feliz?

A aprendizagem da sua neurologia pessoal, interpessoal e coletiva era tida como “natural” e não apreensível como objeto de estudo e utilização ativa. Seria como ensinar a respirar, a ter boas maneiras e ter modos. A socialização promoveria isso espontaneamente.

Ora, nossa neurologia não é puramente  espontânea. A queda dos corpos é espontânea, mas não a lei da gravidade. Ela foi  inventada por Sir Isaac Newton. E isso ofereceu uma infinidade de novas possibilidades nada naturais. Nós seres humanos não somos passivamente produtos da “mãe” natureza: criamos, inventamos e inovamos sem esperar pela “seleção das espécies” (Darwin). Caso fosse assim não teríamos civilizações.
As novas tecnologias não serão mais “digitais”, seja isso binário ou digitando com os dedos. Tendem a ser cada vez mais “mentais” governadas pelo modo como lidamos neurologicamente com nossas experiências. Sem as mãos. E sem mesmo a voz. Lidaremos com as novas tecnologias com nossos “pensamentos”: as formas como representamos as diferentes realidades.  
Está preparado?  
O Neurocom abre o caminho para você apropriar-se de sua neurologia pessoal. Coletivamente.


Sergio Spritzer
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