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Em português aprendemos a distinguir o sujeito e o objeto da frase. No pensamento também distinguimos quem faz do que ele faz. São processos bem diferentes. Quando você presta atenção a si agindo de certa forma o centro da atenção é você. Não o que faz. Poderia dar atenção ao outro ou ao que ele pretende ou quer com você.

Quando alguém está com medo de expressar-se em público é muito frequente que o seu eu esteja pouco atento ao que realmente intenciona ou pretende expressar e a energia se concentra nas expectativas dos outros: o que eles querem ouvir, ver ou sentir. A energia do eu é desviada para o outro e se concentra nele. 

Uma atenção descentrada do objeto e também do sujeito permite examinar a relação entre sujeito e objeto, eu permitindo abordá-los de forma inclusiva. Essa forma de atenção descentrada e inclusiva é diferente da atenção centrada no eu, no que eu faço e no outro. 

A concentração capta a energia para uma das partes em interação: o eu, o eu mesmo, o outro, ele mesmo, o ambiente relacional. Todos esses são componentes de uma rede relacional que precisa ser percebida de maneira unificada. Como uma unidade. A percepção do processo relacional como uma unidade de atenção e percepção só pode ser efetivada quando nos colocamos com uma atenção descentrada e desfocada. Uma forma ampliada de atenção. Quando ela acontece não julgamos ou interpretamos a realidade; simplesmente a percebemos enquanto ela acontece.

Sergio Spritzer - Junho 2014

Assim como produzimos lixo nas lidas diárias, nosso processo de pensamento (incluindo as emoções e sentimentos) produzem lixo. É impossível evitar a produção de lixo...O que é possível é saber o que fazer com ele....Produzimos lixo mental assim como produzimos lixo físico. A diferença é que não os identificamos com tanta facilidade, acreditamos que somos culpados por produzir lixo. Ora, todo funcionamento vivo deixa um resto, lixo ou sedimento. Ele pode aparecer como restos de corais, petróleo ou como pensamentos e sentimentos inúteis.Temos falsas crenças de que o mental tem vida própria e pensa por ele mesmo.Como todo lixo, o lixo mental não pensa. Nem sente. As pessoas se submetem a isso ou procuram “negociar” com o lixo que produzem como se ele tivesse intenção por si mesmo. É impossível negociar com pensamentos automáticos ou emoções impulsivas. É preciso prestar atenção e examinar o que se passa em sua mente e reconhecer o que é ou não automático ou realmente produto da sua vontade.
Se prestar bem atenção verá como é comum as pessoas (e você mesmo) acreditarem que eles mandam ou tem vida própria. Ou que isso tenha vida própria na cabeça dos outros. Por exemplo, pensar e sentir: “fulano é mau comigo” e acreditar nisso simplesmente porque pensou e “provou” que é verdade por esse pensamento evocar emoções negativas. Elas podem ser apenas uma reação impulsiva e não uma “prova de realidade”...