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Elementos para a Prática do Diálogo. 

Sergio Spritzer , abril de 2016. 

Auto e Hetero-percepção.

Imagine um conflito no qual uma das partes acha que a tarefa ou relacionamento está bem e a outra acha que está mal. Isso pode acontecer desde uma conversa de casal até uma reunião de planejamento, realização de ações ou durante a avaliação de resultados. Se tratando de uma tarefa ou de um funcionamento objetivo é fácil determinar quem tem razão e como lidar. Mas ao tratar de relacionamentos humanos a razão está no que interessa em comum. É preciso tratar disso em conjunto através de práticas de conversação. 

Eu percebo a mim e a você desde a minha experiência. É a minha experiência da nossa realidade. Avalio a forma como nos relacionamos de acordo com minhas intenções e expectativas. Você faz o mesmo desde a sua experiência. 

Por mais que eu examine e acredite saber a respeito de minha relação com você é a minha percepção e não a sua. Vale para mim e não deve valer para você, pois você tem a sua percepção da nossa relação. 

Via de regra as pessoas entram em conflito por não deixarem evidentes uma para as outras o que realmente interessa em comum.


A percepção do que está acontecendo entre elas não é a de uma ou a de outra e muito menos a soma das partes. A percepção de conjunto é construída para ser de conjunto. 

Dito de outra forma, temos a minha forma de pensar e perceber, a sua e a nossa, que não é a minha nem a sua. 
Bill Clinton é um político carismático e com grande poder de síntese e persuasão. Teria dito na convenção dos democratas da última semana o seguinte: "A eleição é simples: Se vocês acreditam num modelo de sociedade na qual cada um se vira por si para alcançarem o melhor, votem no candidato republicano. Se quiserem modelo de sociedade na qual as pessoas se unam para alcançar o melhor, votem no democrata." Foi muito aplaudido.É realmente um dilema seguir  um caminho individualista ou um coletivista?Para a Comunicação Humana Interativa, não. São os indivíduos em sua livre iniciativa, ao interagirem entre si que constroem um coletivo que lhes seja coerente. A livre iniciativa sem cooperação e colaboração entre as pessoas implica em um estado autoritário e policialesco. Não admira que uma grande parte da cultura americana clássica ela de mocinhos impondo a lei para proteger o povo a desenvolver seu trabalho. É a cultura dos vencedores e perdedores, como se a vida social fosse uma gincana mediada por um juiz. De outro lado, um estado excessivamente centralizado que se impõe e não é construído e reconstruído pela interação continuada das pessoas leva à acomodação, à burocracia e à corrupção. Fica lento, pouco criativo e desestimula a iniciativa não só de indivíduos como também de pequenos grupos.Na comunicação interativa aprendemos que eu, tu, nós vocês e eles não são apenas figuras de linguagem. Estes termos operam relações humanas de diferentes dimensões que não podem ser dissociadas e antagonizadas entre si, pois assim a comunicação humana perde o sentido maior que é o da oferecer possibilidades de interação.A comunicação interativa desafia as pessoas a serem singulares no plural. Desafia a formação de pequenos grupos descentralizados interagindo  com outros e constituindo grupos cada vez mais inclusivos sem perder sua exclusividade original.Existe uma descentralização com centralização. Não são antagônicas desde que partes e todo sejam interativos. São movimentos, ciclos de uma pulsação relacional.Não aprendemos a nos comunicar e interagir com Si mesmo e com as pessoas de forma individualista e nem de forma coletivista. Todos os estudos indicam a necessidade de uma interdependência cíclica entre ambos. Os modelos de funcionamento orgânico e das interações entre os elementos da natureza também têm se mostrado cíclicos. Por exemplo, nem o cérebro "governa" o "resto" do organismo. Ele depende do funcionamento não cerebral para ter sentido. Interdependem-se.Quer aprender como acontecem interações humanas? Preste atenção ao que é conversar e conviver em diferentes dimensões da sua vida e participe dos grupos de aprendizagem interativa do Neurocom.

Sergio Spritzer