Estas são experiências subjetivas captadas pela nossa capacidade de sintonizar com nossas atividades internas, viscerais, musculares e com os sinais que o corpo nos manda, nossos receptores químicos
como, por exemplo, os do nível de oxigênio e açúcar que indicam quando
estamos sem ar ou com fome. Outros receptores para neurotransmissores indicam
quando estamos ansiosos, deprimidos, bem como os padrões de fluxo sanguíneo de
regiões do cérebro.
Seja como for, a expressão vivencial disso tudo são
representações mentais, vistas ouvida e sentidas. Elas têm correspondências
no comportamento, as micro expressões, e, analogamente, em nossas maneiras de
captar através dos sentidos físicos as micro compreensões dos outros. Por
exemplo, uma leve mudança respiratória, um olhar para cima, para o lado e
mesmo um lapso de tempo ao digitar uma mensagem na internet pode indicar
ansiedade, interesse, desinteresse, evocação de memórias associadas ao tema tratado, etc.
A comunicação é implicitamente complexa, pois depende da formação de padrões
relacionais entre duas ou mais partes através de meios diretos, isto é,
através das nossas percepções e, com elas, das representações evocadas.
As memórias recordadas são combinadas com as
construídas pela nossa imaginação sonhadora ou projetadas (prospectando o
futuro próximo ou distante) como simulações. Com as memórias, vêm expectativas e
vontades.
Na maior parte do tempo essas expectativas são captadas e processadas de forma subconsciente. Não têm como serem expressas como conteúdo de palavras ou em cifras, algoritmos.
Na comunicação humana usamos alguns marcadores comportamentais. Eles são
inúmeros e captados por micro expressões e micro impressões, ou seja,
pequenas, sutis diferenças de mímica, olhar, gesto, respiração, tom, ritmo
de voz, deslocamento para frente, para o lado, cruzar e descruzar pés, mãos,
levantar a sola do pé, entre tantas outras pistas relacionais, que formam padrões
complexos.
Nossa neurologia filtra os padrões mais significativos de acordo
com nossa experiência pessoal e cultural para que possamos localizar-nos em relação a nós mesmos e aos outros. Ambas as localizações são estruturas de
experiências e a auto referência está relativizada (até certo ponto) à
referência ao outro. Por exemplo, você pode ter lembranças de como tem mais facilidade em se fazer compreender, e até mais desembaraço em expressar-se, com certas pessoas do que com outras. Em certos contextos e não em outros.
Quando você está procurando desenvolver e acompanhar a sua própria
comunicação e a dos outros, tem pelo menos dois grandes desafios:
diferenciar o que é a sua percepção objetiva da realidade dos seus
julgamentos e interpretações a respeito delas e aprender a ver, escutar e sentir sistematicamente, suspendendo
pré-julgamentos ou pré-conceitos.
Isso vale tanto para o lado interno da sua comunicação, com relação ao modo
como escuta suas vozes internas, por exemplo, ou percebe imagens e sensações,
tanto quanto ao modo como recebe mensagens sensoriais de fora.
Na prática, trata-se de exercitar a capacidade de narrar fatos vividos ou imaginados, de
si e dos outros, procurando analisar as diferenças, antes de tecer alguma
interpretação.
Nossa tendência é procurar interpretar nossas impressões e
expressões mesmo antes delas serem acessíveis para a apreciação de si e dos
outros. É como se nos policiássemos ao pensar e perceber ou agir. Essa
atitude é menos evidente nas interações entre crianças e vai sendo mais
óbvia nas interações entre adultos. As consequências disso são o
empobrecimento, distorção ou travamento da comunicação por generalizações
abusivas.
Isso não significa que o sujeito não deva perguntar ao outro para
melhor compreendê-lo. Ou a si mesmo, em uma reflexão, para melhor
compreender-se. Nesse caso, não se trata de uma interrupção e sim de um
pedido de qualificação do que está sendo expresso para ser mais bem
compreendido.
A atitude dialógica requer uma atenção e acentuada capacidade de intercambiar
posições interacionais, ora colocando-se no seu lugar, ora no lugar do
outro. Essa interatividade ativa e propositiva (o que queremos com isso?)
consiste na construção dialógica. A construção dialógica se caracteriza pelo
aparecimento de um "Nós" ativo, com intenções, desejos, expectativas,
necessidades, comportamentos, resultados e efeitos que são reconhecíveis
como de causa própria e verificados de uma forma combinada.

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