A cultura da livre iniciativa, da livre concorrência, da oferta versus procura, estimulou o agrupamento das pessoas de acordo com interesses de dominar o mercado. Tal como num time de futebol, aprendemos a constituir equipes para atingir um objetivo único: ganhar dos outros. Observe bem: não importa fazer melhor que eles e sim ganhar deles. Por exemplo, um time de futebol vale pelo que ganha e não pela beleza do seu jogo. O “espírito esportivo” fica em segundo plano. Ele desaparece dando lugar ao “espírito animal”: foco em vencer e não em jogar bem.
O problema desse modo de interagir é que pode vencer o mais agressivo, espertalhão e não necessariamente o melhor. Destruir o adversário, como meta a ser atingida, destrói o próprio jogo. Pois se um dos times elimina o outro e torna-se quem manda, não há mais estímulo para este grupo manter-se como equipe, a menos que surjam novos inimigos. Este jogo de eliminação dos mais fracos, expansão e concentração do campo do poder em poucos, em detrimento de muitos, leva ao enfraquecimento da livre iniciativa e da lei da oferta e da procura.
Num mundo globalizado e conectado, o inimigo já não é um “estranho” e o nosso concorrente não precisa ser, necessariamente, nosso inimigo. Ele não vai ganhar realmente nada nos destruindo. Ser “o maior do mundo” pode deixá-lo isolado, ou gerar uma forte reação dos demais para consigo. Nenhuma das duas possibilidades é realmente uma vitória. O jogo mudou.
Estamos, mais que nunca, no “mesmo barco”: Você pode chamá-lo de planeta terra, economia mundial, etc. Aqui, o clássico antagonismo está desaparecendo. A luta de classes e as lutas pela liberdade individual contra um estado opressor cedem lugar à descoberta de novas formas de aprendizagem colaborativa. Nela não há mais inimigos.
As interações bem sucedidas já não se sustentam em jogos de dominação, seja em realidades pessoais, coletivas, de trabalho ou de vida social. A diversidade e a complexidade das relações e o enredamento entre pessoas, comunidades, organizações e economias torna impossível uma visão dual das coisas. Já não tem sentido chamar alguém de “meu colaborador”: colaborar é trabalhar juntos, lado a lado, em direção a uma meta construída de forma cooperativa e não imposta de cima para baixo.
A aprendizagem relacional está na ordem do dia. Ela é que fará a diferença nas próximas décadas e não mais a aprendizagem técnica. Esta já está acessível pela internet ou por um bom manual. Por outro lado a aprendizagem relacional humana não se desenvolve em escolas tradicionais, voltadas para conteúdos e tarefas. Estamos entrando em outra dimensão, onde aprendizados são efeitos de relações e cooperação.

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