Estamos acostumados a seguir um Nós predeterminado por outros e reagir de forma antagônica reforçando nosso Eu como o centro de tudo. Durante séculos tem havido uma guerra entre esses dois modos polarizados de compreender as relações humanas: de um lado o caubói: "Aqui não há lugar para nós dois: saque a sua arma" defendendo a sua individualidade, seu poder e liberdade pessoal. De outro lado a massificação desses mesmos conceitos, simbolizado no jargão: "O povo unido jamais será vencido". Matamos e morremos em função desse conflito entre polaridades, durante séculos e ainda continuamos agindo assim em grande parte. Entretanto há uma cultura emergindo que não acredita que se trate de polaridades. O pensamento contemporâneo (complexo e sistêmico) já tem maturidade para reconhecer que essa é uma visão falsamente antagônica: somos únicos, singulares em redes plurais, mantendo nossas singularidades. São planos ou dimensões (ou níveis) de interações diferentes e interconectadas.
O gráfico abaixo é proposto como uma espécie de estrutura elementar das redes dialógicas compreensível como estruturas que estão imersas em estruturas mais expandidas e inclusivas. Isso quer dizer que vale tanto para uma pessoa refletindo a sua vida intrapessoal, pensando e sentindo a si mesmo, a duas pessoas relacionando-se assim como a grupos e sociedades. É uma questão de escala.
Distinguir os tempos e espaços de um e do outro é essencial para situar-nos e situar o outro numa relação que seja efetivamente uma prática dialógica que nos leve a um lugar que queiramos chegar juntos (constituir um Nós).
Na prática dialógica dá-se o tempo necessário para as pessoas expressarem-se levando em conta seus estados internos e o dos outros, indicados verbal, corporalmente, através do contexto e do ambiente. O dialogismo oscila entre momentos de expressão (exteriorização) e impressão (interiorização), como os movimentos de inspiração e expiração e os batimentos do coração entre outros biorritmos.

0 comentários: